Estudo reavalia importância de um grupo de células cerebrais

NOVA YORK (Reuters Health) – Durante anos, os pesquisadores praticamente ignoraram um grupo de células cerebrais conhecidas como células da glia, pois imaginavam que não passassem de um mero suporte para outras células do sistema nervoso central.

Agora, os cientistas estão mudando a opinião sobre essas células e descobrindo que elas parecem ter um papel muito mais atuante do que se imaginava, segundo um novo estudo. E isso tudo se deve, em grande parte, às novas técnicas que tornaram possível estudar como as células da glia se comunicam.

“Ainda há muito que aprender, mas existe uma grande excitação entre os neurocientistas, que sentem que podem ter negligenciado quase metade do
cérebro”, disse R. Douglas Fields, do Instituto Nacional de Saúde Infantil e de Desenvolvimento Humano, em Bethesda (Maryland), à Reuters Health. Fields e Beth Stevens-Graham escreveram um artigo de revisão sobre as células da glia que foi publicado na revista Science de 18 de outubro.

“Cada vez mais”, disse Fields, “torna-se claro que as células da glia contribuem para o processamento da informação no cérebro, tanto pela detecção da descarga de neurônios quanto pela comunicação entre elas com a finalidade de regular a atividade neuronal”. De acordo com o pesquisador, esse novo entendimento da importância das células da glia foi possível, em grande parte, graças aos novos métodos de imageamento do cérebro, que permitem aos cientistas observar os
sinais químicos que essas células usam para se comunicar entre si e com os neurônios.

Fields explicou que glia e neurônios operam de maneiras diferentes. Enquanto os impulsos elétricos dos neurônios são frequentemente comparados à comunicação por linhas telefônicas, a troca de informação entre as células da glia se faz por intermédio de sinais químicos muito mais lentos.

Uma das várias funções da glia é regular a intensidade das conexões que se formam entre os neurônios, as chamadas sinapses, comentou Fields. Mas a glia também é capaz de detectar sinais de outras partes do cérebro além das sinapses. Esses sinais “são especialmente importantes para regular o desenvolvimento da glia no feto e no recém-nascido”, observou Fields. Essas mensagens também controlam a atividade da glia que forma a bainha de mielina, uma camada isolante que protege as fibras nervosas. A comunicação entre os neurônios e as células da glia pode estar ligada às atividades cerebrais que ocorrem durante períodos de tempo
relativamente longos, comentou Fields. “Isso pode ser importante em processos como o desenvolvimento do sistema nervoso, a formação de sinapses, a enxaqueca, a depressão, o aprendizado e a memória”, disse o especialista. Essa comunicação pode ainda estar relacionada à maneira como o cérebro
responde a lesões, doenças e dor crônica, completou.

Fonte: Science 2002;298:556-562

Estudo reavalia importância de um grupo de células cerebrais
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