Implante cerebral sugere meio de restaurar a visão

WASHINGTON – Eletrodos inseridos no cérebro podem apontar o caminho para restaurar a visão perdida por doença ou trauma. A pesquisa, ainda limitada a macacos, está no estágio inicial, mas é promissora, dizem pesquisadores da Escola de Medicina Harvard, na edição desta semana do periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).
Outros pesquisadores já trabalharam no desenvolvimento de implantes para a retina, dentro do olho, mas a equipe de John S. Pezaris e R. Clay Reid voltou-se para uma porção do tálamo, no cérebro, que repassa os sinais da retina para o córtex visual.
Os cientistas de Harvard, ao enviar um sinal por meio de eletrodos, foram capazes de fazer com que os cérebros de macacos registrassem um ponto de luz, mesmo sem que houvesse nenhuma luz realmente visível, explicou Pezaris.
“Não sabemos com o que se parecia, porque não podemos perguntar” ao macacos, explicou ele. “Mas havia algo, definitivamente”.
Um único ponto de luz pode não parecer grande coisa, mas Pezaris disse que o próximo passo será obter o registro de oito pontos, o que poderá permitir a formação de figuras, como linhas horizontais ou verticais.
“Se funcionar, tentaremos com mais e mais e mais”, disse ele. “Em algum momento, esperamos passar a trabalhar com humanos, e assim que pudermos fazer isso, mesmo que em base experimental, o tanto que poderemos aprender crescerá”.
Esse desenvolvimento ainda levará anos para chegar, mas se tudo der certo, a técnica poderá levar a tratamentos para pessoas que perderam a visão em acidentes, por causa do câncer ou de doenças como glaucoma.
A abordagem não havia sido tentada antes porque o tálamo é difícil de alcançar, mas Pezaris afirma que o advento da estimulação profunda do cérebro, para o tratamento do mal de Parkinson, sugeriu a adaptação da técnica.

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