Como lavar palavra suja e os princípios de funcionamento do cérebro

Palavras são gatilhos que disparam experiências dentro de nós. Por isso, é preciso cuidar muito bem delas, sabem?

Por exemplo, hipermutantasquitilionário. Se você der uma busca por ela nos mecanismos da internet, encontrará… NADA. Nenhum resultado, nadiquinha mesmo! Eu sei. Eu fiz isso agorinha. 🙁

Mas o cérebro não faz isso, faz? Dizer Not found / não encontrado. Não senhor, nao faz.

Aposto que você já pensou em alguma coisa. Qualquer coisa.

Vamos ver, se é HIPER e, ainda por cima, MUTANTAS, é muito! Aliás, mais que muito, é muitão, certo? E acertou!

Outra coisa, se tem quitilionário, tem dinheiro nessa história, certo? Certissississimo!

Viu? Seu cérebro é melhor que Google, Yahoo, Bing e tooooda a internet junta!

Por que a palavra hipermutantasquitilionário existe. Existe sim! Eu a aprendi quando tinha 9 anos de idade, lendo os gibis do Pato Donald!
Toda literatura tem seu valor, no seu devido tempo 😉

Tenta agora com outra. A palavra agora é uma das minhas favoritas pra brincar de mecanismos de busca do cérebro: BUCENTAuro.

Baita sacanagem minha colocar as primeiras letras dessa palavra em caixa alta, né? É… eu sei. Mas a verdade é que, se você nunca fez esse exercício comigo (ou com o Victor Mirshawka Jr.), não sabe o que é. Então, seu cérebro usa os princípios de funcionameto neurológicos que tem e se vira como pode.

Ele faz assim ó, “prestenção”:

Ele “pega” o princípio da RADIÂNCIA, ou seja, “bota”a palavrinha no centro e no foco da busca e sai radiando pra tudo quanto é lado até encontrar algo que seja minimamente parecido com ela. E quem riu, assim que leu, sabe exatamente o que ele encontra primeiro… ah, sabe! Não vou escrever aqui porque é uma palavra não publicável por senhorinhas de 50 anos como eu, mas que sabem, sabem.
Ele faz isso por causa de outro princípio de funcionamento dele…

A associação de idéias, também conhecida por neuroassociação.

Veja você, o cérebro é NEUROASSOCIATIVO. O tempo todo (não espanta que pensar canse tanto…) E, por associação, ele vai pensar em algum animal beeeem antigo, tipo dinossauro, ou em algum animal mitológico, tipo centauro ou minotauro – de qualquer forma uma mistura de 2 “seres”, e mais uma vez, estará certo!

‘Tá lá na wikipédia: O Bucentauro era a galera oficial de estado do Duque (Doge) de Veneza, na qual ele embarcava uma vez por ano, no dia da Ascensão, para celebrar e festa da união de Veneza com o mar. Chamava-se assim por causa da cabeça do animal mitológico, metade boi, metade cavalo que adornava a proa desse tipo de embarcação.

Mas, porque, cargas d’água, ele associa à estas coisas e não a outras zilhares de coisas quaisquer que estão na sua cabeça?

Por causa de outro princípio de funcionamento:

A lei da probabilidade ou CADEIAS NEURAIS, ou cicatrizes neurais ou redes neurais ou engramas (ah, desencana, você também tem um nome e um monte de apelidos…).

Esse principio faz com que o cérebro busque o significado mais provável dentre os que foram mais repetidos, registrados, reforçados, no decorrer de nossa vida.

Aíííííííí…. ele vai lá e “bota” significado na coisa.

SIGNIFICÂNCIA, então, é outro dos princípios de funcionamento do cérebro.

O computador (e mesmo a internet) não conseguem dar significados às coisas. A gente (o programador) é que faz isso. Ó que lindo. Uma coisa em que a máquina – ainda – não pode nos substituir – hehe.

Tem mais, mas junta isso tudo: Radiância, Neuroassociatividade, Cadeias neurais e Significância, memoriza e pronto! Você já é QUASE um neurocientistazinho, recém-nascido. Por favor, eu disse QUASE. Não confundamos os aventureiros – como eu – que pesquisam até a ufa esse negócio, com os camaradas que ficam quase 15 horas por dia com a “fuça” metida nos microscópios e telas de resultados de Ressonâncias Magnéticas Funcionais. ESTES sim, são neurocientistas. Como Miguel Nicolelis, Erik Kandel, Antonio Damásio, Oliver Sacks, Roberto Lent, Suzana Herculano-Houzel e tantos outros. Eu só estudo o que eles descobriram.

Mas, eu dizia mesmo o quê? Ah, lembrei!

PALAVRAS SÃO GATILHOS QUE DISPARAM EXPERIÊNCIAS DENTRO DE NÓS. Por que elas têm significância, entende?

Por isso é preciso cuidar bem delas; lavá-las, de quando em vez. É, lavá-las.

Escuta só essa preleção poética da Filósofa Viviane Mosé.

Ah, que delícia a Ciência com Arte… Como amplia a consciência mais rápido… (suspiro).

Beijos e tchau que agora vou trabalhar um pouquinho… Eu tenho uma palestra pra apresentar no #CBTD12, lembra…? 😉
Bom vídeo pra você!

Mas, espera só um meio minuto! Já ia me esquecendo! Hipermutantasquitilionário é o que o Tio Patinhas é 😉

Não é superhipermegaesplendivilhoso? Diria o melhor criador de palavras que eu conheço e admiro: O Tigrão, do Ursinho Poh.

Agora sim, bom vídeo pra você 😀

http://youtu.be/3wyhZCkIUYg

 

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