O comum e o extraordinário

por Ines Cozzo Olivares

Como assim ‘Qual a diferença?’. Não existe é semelhança!

As pessoas têm me perguntado, depois que lancei meu livro e o DVD sobre Neuroaprendizagem, qual a diferença entre ela e a aprendizagem convencional.  Eu sei que tem resposta. Eu até vou oferecer resposta, mas primeiro eu travo nas 4 rodas mais o estepe e penso: “Meu Deus! É totalmente diferente. Por onde eu começo?”

DVD Neuroturbo
Neuroaprendizagem e Inteligência Emocional
Editora Qualitymark

A Maria Helena Matarazzo disse numa palestra certa vez que a diferença entre a aprendizagem da escola e a da vida era que a primeira partia das lições para a prova e a segunda, 100% ao reverso, começava pela prova e daí saíam as lições. Eu amei!

É por isso que as lições aprendidas na vida, através das provas, são pra vida toda e as da escola a gente esquece no dia seguinte à prova. Não eram de fato aprendizagens então, eram?

Na escola a gente aprende que há apenas UMA resposta certa pra cada problema apresentado e sai assim pra vida. Que doidice. Sabem quantas respostas possíveis existem pra cada um dos nossos “problemas”? ‘Trocentas’. Todas certas… e erradas. E nenhuma certa… nem errada. Todas terão consequências que a gente vai administrar depois. Umas a gente vai querer, vai aplaudir, vai celebrar e outras não. Paz-ciência. Como disse Gonzaguinha na música: “É a vida. É bonita e é bonita”.

Na escola lembram quem era o melhor aluno? Aquele que não tinha boca pra nada. “Seu filho, mãe? ‘Magina. Nem precisa ficar na reunião. É um santinho. Não tem boca pra nada.” Depois querem que o benditinho se dê bem na vida onde a principal competência é justamente saber se comunicar; argumentar. Ai, ai.

Na escola, a sua resposta tá certa ou errada. “Errado. Próximo. Alguém mais sabe?”. Na neuroaprendizagem a gente constrói o saber partindo de qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, que você já saiba, suponha ou intua. Tudo serve. Todos os caminhos levam à Roma. Alguns são atalhos outros não. E daí? Não posso curtir o passeio mais longo? Claro que posso.

A criança recém chegada à escola, não sabe o que é Lei da Gravidade, um pressuposto da física, mas ela já viu a água cair da torneira e nunca retornar; o vaso da mãe cair no chão e, pra sua infelicidade, não retornar inteiro à mesinha da sala — Ui! Sim senhor, ela sabe — na pele — o que é força da gravidade. Já temos um começo. E se é assim com a criança, imagine com adultos.

É… São tantas as diferenças, que foi preciso cunhar um termo novo: NEUROaprendizagem. As aprendizagens que a gente grava em cada célula, em cada neurônio, em cada poro do nosso corpo. É preciso emocionar, mais que isso, é preciso emotizar, revestir de sentimentos aquilo que vai construir a mentalidade. De modo que seu corpo se torne sua apostila e vá com você pra todo canto.

O saber que tá fora de mim — num livro, na internet, numa apostila, nos slides de um palestrante — não é meu. Eu preciso me APROPRIAR dele. Se eu for capaz de repetir os dados dessa fonte externa – nem que seja feito um papagaio – então, vou transformar estes dados em informação. Quando essa informação fizer sentido pra mim, quando ela adquirir significado, aí será conhecimento. Pronto. Já faz parte do meu discurso.

Infelizmente, discurso é o que mais tem por aí. Como será a minha prática?  Tá bom que já esteja no discurso, no texto. Tá bom. Mas é só mais uma das etapas de aprendizagem vencida, não o fim em si. Que é que eu faço com isso? No meio daquele bate-boca brabo, eu peço um minutinho, por favor, que eu vou consultar a apostila do curso de gestão de conflitos ou de ‘Como fazer seu casamento durar 100 anos’? Capaz mesmo que o conflito acabe, porque o outro vai rir tanto da minha cara que a raiva dele vai passar na hora. É… Deve ser assim que funciona a tal da apostila. Só pode. Dio Santo!

Sim… São só diferenças… A Neuroaprendizagem não grita, sussurra. Não mostra, insinua. Não canta, encanta — canta dentro da gente. Ela não é sexy, é sensual. Não se impõe, envolve. Mestre Kan-Ichi Sato disse certa vez numa reportagem do Repórter ECO da TV Cultura que eu dei uma tremenda sorte em estar assistindo: “Eu não ensino e não mando. Ensinando sai cópia. Mandando sai escravo. Eu transmito meu espírito”.

Em suma, Neuroaprendizagem não é nudez, é lingerie, é corsett com cinta liga e meia rendada na coxa! Às vezes branco, às vezes preto e às vezes, até, vermelho, mas nunca rosinha ou azulzinho, porque é sempre de um impacto absoluto. Você consegue imaginar a escola convencional assim? Duvi — D – O — do!

A Neuroaprendizagem é mais que boa, é ótima. É mais que ótima, é excelente. É mais que excelente, é extraordinária. E porque, na verdade, ela é mais que extraordinária, vai fazer história. E eu quero estar lá, do ladinho dela, quando esse dia chegar. E, aí, eu vou dizer: “É minha amiga, ela. Gente boa pra caramba. Só vendo. Pode confiar.”

Beijos sabor saber que, aliás, é o significado etimológico da palavra SABER: SABOR, saboroso.

Inês Cozzo Olivares

SP, 07/12/2009

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