Excesso de informação muda forma de pensar

Quando uma das mais importantes mensagens de correio eletrônico de sua vida entrou na caixa postal alguns anos atrás, Kord Campbell não lhe deu atenção. E não por um dia ou dois, mas por 12 dias. Ele finalmente a viu enquanto navegava por mensagens antigas: uma grande companhia queria comprar sua empresa de internet iniciante.

— Eu levantei da minha mesa e disse: “meu Deus, meu Deus, meu Deus” — conta Campbell.

— É meio difícil deixar passar algo assim, mas eu deixei.

A mensagem escorregou entre seus dedos no meio de uma enchente eletrônica: duas telas de computador tomadas com email, mensageiros eletrônicos, bates-papos online, um navegador de internet e o código de computação que estava escrevendo.

Embora tenha conseguido salvar o negócio de US$ 1,3 milhão, Campbell continua a batalhar com os efeitos da inundação de informações. Sua mulher, Brenda, reclama: “Parece que ele não consegue mais estar presente por inteiro”.

Segundo cientistas, o malabarismo entre e-mail, telefonemas e outras fontes de dados está mudando a forma como as pessoas pensam e se comportam. Eles dizem que nossa capacidade de concentração está sendo sabotada pelo excesso de informação. Essa estimulação provoca excitação — uma dose de dopamina — que os pesquisadores dizem que pode virar um vício. Na sua falta, as pessoas se sentem entediadas.

As distrações resultantes podem ter consequências fatais, como acidentes causados por motoristas e engenheiros ferroviários que falam no celular. E para milhões de pessoas como Campbell, essas “fissuras” podem causar danos à criatividade e à capacidade de reflexão, levando a problemas profissionais e familiares.

Embora muitas pessoas digam que as multitarefas as deixam mais produtivas, estudos mostram o contrário. Essas pessoas têm mais problemas em se concentrar, de ignorar informações irrelevantes e experimentam níveis de estresse maiores. E os cientistas descobriram que, mesmo depois que as tarefas acabam, o pensamento entrecortado e a falta de concentração persistem.

— A tecnologia está mudando as fiações de nossos cérebros — diz Nora Volkow, diretora do Instituto Nacional de Abusos de Drogas.

Ela e outros pesquisadores comparam a atração pela estimulação digital à provocada por comida e sexo, que são essenciais mas contraprodutivas em excesso. A tecnologia pode beneficiar o cérebro de algumas maneiras. Pesquisas com uso de imagens mostram que os cérebros de usuários da internet ficam mais eficientes para encontrar informações, e jogadores de alguns viodeogames desenvolvem melhor acuidade visual.

Para o bem ou para o mal, o consumo de mídia explodiu. Em 2008, as pessoas consumiam três vezes mais informação diariamente do que em 1960. E elas estão constantemente mudando seu foco de atenção. Usuários de computadores no trabalho mudam janelas e checam e-mails quase 37 vezes por hora.

A interatividade sem tréguas é uma das maiores mudanças da história do meio ambiente humano, conta Adam Gazzaley, neurocientista da Universidade da Califórnia.

— Estamos expondo nossos cérebros a um ambiente e pedindo a eles que façam coisas que não necessariamente evoluíram para fazer. Já sabemos que isso traz consequências — diz.

Autor: Matt Richtel

Fonte: New York Times e Unisinos

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