O neurologista e chefe de cozinha Miguel Sanchez Romera, apaixonado por culinária e pela medicina, decidiu aliar essas duas atividades e criou o que chama de neurogastronomia. Os pratos do restaurante Romera, em Nova York, são montados por ele com o objetivo de mexer com a mente daqueles que experimentam sua comida. “A intenção é interagir com o nosso cérebro. A disposição dos alimentos não tem a função somente de embelezar o prato, mas de modificar os nossos conceitos e percepções”, observa o chefe Pascal Jolly, do bistrô Chez L’Ami Martin, no Rio de Janeiro.

Romera é natural da argentina, mas foi na Espanha que aprimorou suas técnicas culinárias. “A neurogastronomia é uma evolução da cozinha espanhola, que, apesar de muito rústica, sempre buscou pratos de sabor pronunciado”, explica Jolly. Ao contrario do que você pode estar imaginando, a cozinha neurogastronômica não serve menus completamente desconhecidos. “É interessante que, apesar de serem usadas as técnicas mais modernas de preparação e cozimento desses alimentos, não há nenhuma novidade no que é servido. Os ingredientes são típicos da culinária tradicional, que já conhecemos”, esclarece o chefe do Chez L’Ami Martin.

A grande diferença dos pratos neurogastronômicos para os tradicionais é que eles são montados de maneira artesanal, com muitas cores e ingredientes selecionados. O chefe argentino procura a harmonia perfeita dos alimentos para aguçar os cinco sentidos de quem os experimenta. “A neurogastronomia prioriza a geometria e as cores do prato servido, para estimular a memória e a percepção das cores, através do aspecto da comida”, diz Jolly.

A experiência gastrônomica de Romera é única no mundo, mas, de acordo com o chefe Pascal Jolly, aqui no Brasil, o chefe Felipe Bronze faz algo parecido no restaurante carioca Oro. “Ele faz a chamada culinária sensorial, que busca despertar emoções e sensações através dos alimentos. Ainda assim, no entanto, não é exatamente neurogastronomia. Por ser um médico, o Romera trabalha de uma forma cientifica, visando desfocar a maneira como nosso cérebro interage com a comida”, completa.

[NEUROGASTRONOMIA] Miguel Sanchez Romera e seu Mix de Neurologia e Gastronomia
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