Rejeição “causa mesma reação no cérebro que dor”

Voluntários foram chamados a participar de um jogo por computador que os fazia de tolos, excluídos, enquanto “fotografias” do cérebro eram retiradas a cada momento.

Depois da rejeição por computador, o exame detectou atividade em uma área do cérebro que geralmente é ligada à dor física. Especialistas dizem que o estudo, publicado na revista científica Science, mostra a importância que o cérebro dá aos laços sociais.

Manipulação

Os pesquisadores envolvidos no estudo utilizaram um aparelho de ressonância magnética para monitorar os participantes da pesquisa assim que seus sentimentos eram manipulados.

Os aparelhos detectavam mudanças sutis no fluxo de sangue em várias partes do cérebro – o que indicava que a região estava ativa. Para provocar a resposta certa, os cientistas desenvolveram um engenhoso programa de computador designado a fazer as pessoas se sentirem excluídas em uma espécie de video game. Os participantes observavam numa tela dois personagens virtuais e recebiam a informação de que outros dois personagens também estavam sendo controlados por pessoas.

Essa informação, no entanto, era falsa, já que os outros dois participantes eram apenas uma simulação. O programa fazia com que o particpante da pesquisa sempre se sentisse preterido.

No começo, a bola do jogo era dirigida igualmente aos três jogadores, mas, em seguida, dois personagens cibernéticos começavam a jogar a bola um para o outro, aparentemente excluindo o “humano”. Foi nesse ponto que as reações começaram a ser detectadas via ressonância magnética.

Área da dor

Os pesquisadores notaram que uma área chave do cérebro se salientava quando a rejeição ocorria. Essa área, na parte anterior do córtex, já é associada com as respostas do cérebro aos sentimentos desagradáveis trazidos pela dor física. A reação, neste caso, não foi apenas uma frustração por não poder jogar. Os cientistas já haviam testado, anteriormente, a reação causada pela frustração, simulando que os controles do jogo não funcionavam e que, portanto, o participante não poderia jogar.

“As evidências sugerem que algumas estruturas neurais utilizadas na experiência da dor também podem estar associadas à rejeição social”, diz o relato da equipe.

Jaak Panksepp, do Centro de Neurociência, Mente e Comportamento da Bowlind Green State University, de Ohio, diz que o sentimento de rejeição social mexe com instintos poderosos em humanos e animais.

“Os sentimentos induzidos por jogos experimentais no laboratório são uma sombra dos sentimentos na vida real que os homens e animais experimentam em resposta a uma repentina perda de apoio social.” A dor psicológica nos humanos, especialmente o luto e a solidão, segundo o cientista, podem dividir os mesmos neurônios usados par a elaborar a dor física.

“Dada a dependência dos jovens mamíferos de seus tutores, não é difícil entender o significado de sobrevivência dado aos neurônios comuns que elaboram tanto o sofrimento físico quanto as dores afetivas.”

Rejeição “causa mesma reação no cérebro que dor”
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